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Em 02/04/2018

POTENCIAL DA INDÚSTRIA EM MINAS GERAIS

INDUSTRIA PAISAGEM

Pensou em indústria, pensou em Minas Gerais.

 

Por trás das montanhas mineiras gira uma economia em que a indústria tem papel preponderante na geração de riquezas. Em Minas Gerais, a indústria responde por 28% do PIB, enquanto a média nacional do setor é de uma contribuição de 22,5%.

A origem dessa maior industrialização da economia mineira, na comparação com a média nacional, está na própria história do estado, que tem forte tradição na atividade extrativa mineral. A presença das mineradoras atraiu siderúrgicas, trazendo em seu rastro montadoras de veículos que consolidaram uma forte cadeia produtiva minero-metalúrgica. “Embora haja um processo de redução da participação da indústria na economia como um todo, especialmente da de transformação, nós ainda temos um estado mais industrializado em Minas Gerais, frente à média do Brasil”, analisa Guilherme Veloso Leão, gerente de Economia da FIEMG. “Nós temos essa vantagem natural de estarem aqui todas as grandes reservas minerais de ferro, bauxita e uma série de outros minerais. É natural que tenha aqui esse setor, e isso cria uma relevância em relação aos demais estados do Brasil.”

A força da indústria extrativa na composição do PIB mineiro aparece nos números. Enquanto o segmento minerário responde por 6% da geração de riquezas do estado, na média nacional o seu peso é de 3,5%. A abundância de matéria-prima funciona como um ímã. “É natural que tenha a indústria siderúrgica perto da fonte de minério”, analisa Leão. “Você também terá uma série de indústrias vinculadas ao fornecimento da cadeia minero-metalúrgica. Tudo isso vai criando uma estrutura industrial mais densa no estado.” De fato, o setor de transformação também tem um peso maior na formação do PIB mineiro, de 12,9%, ante 11,4% da média nacional. A forte relação entre mineração, metalurgia e indústria automotiva em Minas se revela quando se constata que esses três segmentos respondem por 43,33% do Valor Bruto da Produção (VBP) industrial.

O adensamento industrial também aparece nos demais segmentos. A construção tem um peso de 6,1% em Minas Gerais, diante de 5,4% no país. Os Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP – eletricidade, gás e água, por exemplo) representam 2,9% da geração de riquezas do estado, ante 2,1% na média brasileira. EFEITO MULTIPLICADOR O maior peso da indústria na economia mineira também gera um fenômeno peculiar. Quando o Brasil vai bem, Minas vai melhor ainda. O contrário também vale. Nos momentos de retração da economia, o estado despenca. A conclusão é de Glauber Silveira, pesquisador da Fundação João Pinheiro e professor do Ibmec. De acordo com levantamento realizado por Silveira, quando a economia sentiu o baque da crise financeira mundial iniciada em 2008, nos Estados Unidos, o PIB brasileiro caiu 0,1%. Em Minas Gerais, a queda foi de 4%. Em contrapartida, quando veio a recuperação, em 2010, o Brasil cresceu 7,5%, contra alta de 8,9% em Minas Gerais. Mais uma vez, a força da indústria extrativa influenciou os bons resultados. Os preços do minério de ferro experimentaram um boom a partir de abril de 2009, impulsionados pela demanda chinesa, saindo de US$ 52 por tonelada métrica seca para um pico de US$ 187, em fevereiro de 2011, conforme aponta o IndexMundi.

O gerente de Economia da FIEMG, Guilherme Veloso Leão, considera que Minas Gerais ensaia os primeiros passos para alavancar seu desenvolvimento. “Não há um planejamento 100% estruturado, mas há um projeto de planejamento bem alinhado, principalmente entre a Federação das Indústrias e o governo do estado, por meio da Codemig”, afirma. O estado tem massa crítica para iniciar um novo processo de diversificação econômica, pois algumas premissas continuam presentes, tais como, um relevante número de universidades de qualidade e oferta de mão de obra qualificada nos ramos da engenharia e das chamadas ciências da vida. “Tudo isso constitui indicadores de que existe um caminho natural nascendo em Minas Gerais”, conclui. De acordo com Leão, Minas precisa de uma economia mais integrada às cadeias globais de valor, com uma indústria com menos protecionismo e boa base logística. “Você precisa de uma indústria mais preparada para mudar sua estrutura de capital para receber investidores que possam aportar capital e conhecimento nas empresas”, resume.

Nesse novo arranjo, caberia ao governo, que não tem mais a capacidade fiscal do passado para incentivar investimentos, não atrapalhar. “Depende muito mais de um Estado que não pode ter um planejamento rígido, que diga para onde o mercado deve ir. Ele deve ser um estimulador, um indutor de investimentos, de potencialização de setores”, afirma Leão. Há um consenso de opiniões quanto ao futuro: a retomada do crescimento a taxas mais altas vai depender de o estado viabilizar melhorias de infraestrutura de transporte, tanto de mobilidade urbana quanto interestadual ou intermunicipal. Nesse aspecto, concessões ou parcerias público-privadas de estradas, rodovias , portos e aeroportos, por exemplo, serão sempre bem-vindos.

Minas Gerais é o berço da indústria brasileira, mas as empresas precisam estar preparadas para receber investidores e absorver as demandas do mercado.

Fonte: ANUÁRIO FIEMG - http://www7.fiemg.com.br/ciemg/produto/anuario-da-industria-